Guest Post – Sobre mulheres e o marketing

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Marketing e Mulheres

Autora Convidada: Tuka Roberta Rossatti

Na semana do dia das mulheres, me sinto verdadeiramente lisonjeada por ter sido convidada a fazer essa publicação para o blog da M2BR, minha segunda casa profissional e lugar em que atuo dando aulas, profissão que exerço há quase vinte anos, com muito orgulho.

Como profissional de marketing e mulher, devo dizer que este é um mercado que ainda está longe de chegar ao ponto ótimo das iniciativas que garantam um contexto minimamente igualitário. Principalmente se partirmos do conceito defendido pelo feminismo liberal, que assegura a igualdade de oportunidades, condições de trabalho e salário para mulheres, homens ou qualquer gênero com o qual a pessoa se identifique.

Considerando que esta premissa parta única e exclusivamente na dissecação do conceito universal de marketing cunhado por Kotler, é muito visível e listável como ainda há um universo de separação entre o atual e o ideal quando o assunto é consumidor e marca. E é este exercício que proponho neste texto.

Sobre marketing

Mercado de Marketing e Mulheres

A saber, segundo o pai dessa arte, Philip Kotler, entende-se por marketing “o processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos de valor com outros”.

Se considerarmos que o Marketing é compreendido a partir de um processo social, estratificamos o conceito do que é social e compreendemos que se aplica ao que é característico da sociedade: um grupo de indivíduos (sem qualquer aferição a diferenciação de gêneros) que compartilham características de uma mesma comunidade.

Conclui-se facilmente que numa realidade cultural em que mulheres e homens compartilham idealmente dos mesmos direitos e deveres, para que a comunidade exista em equilíbrio, ainda temos um grande buraco no quesito direitos quando isolamos o papel das mulheres tanto em sociedade quanto no marketing em si.

No mercado, permanecem desiguais: oportunidades, salários, prestígios, direito de fala, dentre outros. Ou seja: o mercado continua sendo um retrato da desigualdade dentro de um conceito que se pressupõe resultado de um processo social.

Do ponto de vista gerencial, nem sempre nos é dado, na condição de mulheres, lugar para exercermos papel de gerência. Simultaneamente, nos é retirado o direito de sermos tratadas com respeito e apreciação igualitária a nossos colegas de trabalho do gênero masculino.

Sobre o mercado

Produtos de Marketing e Mulheres

Os processos e métodos de inteligência aplicados ao que necessitamos e desejamos, enquanto mulheres, em termos de produtos e serviços são não raramente determinados, direcionados, avaliados e concluídos por um grupo de decisores completamente inadequado.

Ainda é fresco na memória o exemplo do mercado de cerveja, que demorou para considerar mulheres como público-alvo, com sua visão míope dos hábitos de consumo desse target, apenas por uma confortável, velha e preguiçosa percepção de que o produto não se adequaria ao paladar feminino.

Com sorte, vivemos para ver essa mudança de rota sendo feita a passos lentos, mas cujo caminho trilhado mostra-se sem volta.

A criação de produtos por si só é igualmente equivocada por motivos muito parecidos. A chuva de pressuposições a respeito das necessidades das mulheres, exatamente assim, bem generalista, beira o ridículo.

O shampoo ainda nasce com a função de domar cabelos. O tratamento de pele ainda tem que servir para nos fazer sentir mais jovens. Não porque queiramos ter uma pele mais bonita por si só, mas porque ainda precisamos lutar contra o envelhecimento, essa sempre uma luta muito solitária e feminina. Afinal, homens têm o direito de melhorar com o passar do tempo.

É no processo de oferta e troca de valores (via de regra monetários) que nossa inteligência é colocada à prova diariamente. O carro destinado às aulas de direção para mulheres ainda é rosa, na propaganda do absorvente nosso sangue é azul e o desconto no rodízio presume que comamos menos, não que ganhemos salários 44% abaixo da média recebida nas mesmas funções exercidas por homens.

Conclusão: sejamos a mudança!

Sororidade no Mercado de Trabalho

Em resumo, o conceito de marketing se aplica, mas não às mais de 40% de mulheres que são chefes de família, mantenedoras e administradoras de lares no Brasil. O conceito de marketing de Kotler, encontra-se na sua versão 4.0, mas não se atualiza para nós.

E talvez você, do gênero feminino, esteja se perguntando como reverter um cenário tão esmagador quanto este. A resposta em termos de microambientes eu realmente não tenho. Vivo a mesma luta que cada uma de vocês, tentando mudar um pouquinho aqui e outro ali.

Por outro lado, num pensamento macro, a resposta é: nos colocando, exigindo cada vez mais nossos direitos, lugares de fala, representatividade e sendo profissionais de marketing cada vez mais competentes a fim de mudar o sistema estando dentro dele.

Sejamos a mudança.

Vamos em frente!

Professora da M2BR Academy, cientista de Dados, pós graduada em Branding pela FGV e PHD em Vai Dar Merda pelas maiores agências de publicidade do País. Uma Data Provoker disruptiva até a segunda página, com experiência acumulada em 9 anos de trabalho em Marketing Digital atendendo as maiores marcas do Brasil e da América Latina, entre elas Samsung, L’Oréal, Chevrolet, TIM, Santander, Brasil Kirin, BRF, Coca-Cola, OLX, entre outras.

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